Focos de Autonomia na Invenção do Real

A indeterminação não é uma força passiva, é uma força de resistir à determinação. Ela é uma força de indeterminar ou suspender as forças de fora e/ou de dentro. Ela resulta dos vacúolos, dos intervalos, das dobras do tempo que criam seres de tempo, linhas finitas de duração. Entre a potência e o ato existe […]

Fuganti – Ética como Potência e Moral como Servidão

Ao primeiro sinal da palavra ética o que salta à atenção comum do cidadão é um chamado para que ele, ao ponderar seu sentido mais frequente e ordinário, procure ascender a uma postura de vida e de comportamento que por princípio o colocaria no caminho do Bem, seja de natureza espiritual, seja um Bem para a humanidade ou, simplesmente, uma disposição por parte daquele que é qualificado com atributos ditos éticos, a assumir um comportamento que tenderia para o tão propalado bem comum da sociedade em que vive.

Fuganti – Desejo e Pensamento

“Talvez um dia o século será deleuziano”, assim falou Michel Foucault numa ocasião, depois do extraordinário impacto que lhe provocou a leitura de duas obras que marcaram para sempre, não só o século 20, mas toda a história do pensamento humano: Lógica do Sentido e Diferença e Repetição, de Gilles Deleuze. Essas obras por si só mostra toda singularidade e diferença de uma pura potência do pensamento.

Fuganti – Biopoder nas políticas de saúde e desmedicalização da vida (discurso transcrito)

Vou esboçar algumas questões relativas ao biopoder e à saúde e, nos limites desse breve discurso, considerar alguns aspectos acerca do controle sobre a vida e do sentido daquilo que comumente se denomina cuidado. Em seguida, qual a relação desses aspectos do controle e do cuidado com as práticas de medicalização que constituem, me parece, uma nova demanda por um certo valor de saúde. Porém, não um valor de saúde que se produz a partir de um tipo ativo de vida, mas aquela saúde que se demanda e acontece como investimento de desejo de um tipo de vida separada de suas capacidades de criar as próprias condições do existir.

Biopolítica e Produção de Saúde – Um Outro Humanismo?

O apelo para o humanismo talvez seja um convite arriscado. Esse tom nos impõe uma questão e uma atenção ainda mais urgentes: até que ponto o cuidado mais humanizado pode, inversamente, mascarar o destrato com relação às forças mais nobres da vida? Dá-se o mesmo na oposição dos valores “humano versus desumano” e na relação “civilização versus barbárie”, que opõe, de um lado, a civilização cultivada na lei e na linguagem como condição de paz, de liberdade e de progresso da humanidade e, de outro, a barbárie mergulhada na tirania, com seus correlatos de violência e de escravidão envolvidos nos caprichos imprevisíveis de um déspota que governa pelo terror e pela brutalidade.

Formação Pensamento Ocidental – Aula 23/32 – Empirismo (continuação)

Luiz Fuganti A nossa questão é bem prática, estamos usando a filosofia com o estilo de viabilizar uma postura, mesmo, não é uma questão teórica – ainda que usemos a teoria, ainda que usemos a questão especulativa para servir a essa postura prática. Então, nesse sentido, vamos enfatizar hoje o aspecto fundamental do empirismo que […]

Formação Pensamento Ocidental – Aula 24/32 – Kant e a moral como finalidade

Luiz Fuganti  Hoje eu vou falar de quem vocês não gostam, de tanto eu ter falado mal, criticamente. Kant é muito interessante, por isso vamos falar dele; pode ser chato, pode ser um homem da lei, pode ser um homem da moral por excelência, mas ele é o instaurador do plano moderno da separação da […]

Formação Pensamento Ocidental – Aula 25/32 – Nietzsche (parte 1/4)

O projeto mais geral da filosofia de Nietzsche é atingir um modo de viver e de pensar que ultrapasse toda essa decadência que se instalou no ocidente e que toma conta da terra – que, segundo Nietzsche, é causada por uma maneira negativa de viver e pensar. Então é o bacilo da negação que gera a crença no ideal, que acaba produzindo uma inviabilização para a vida, uma inviabilização para o corpo, uma inviabilização para a natureza. Então Nietzsche quer fazer a transvaloração ou a transmutação de todos os valores. Ele diz que os valores ocidentais inteiros estão contaminados ou cheios do bacilo da vingança ou do niilismo.

Formação Pensamento Ocidental – Aula 26/32 – Nietzsche (parte 2/4)

Luiz Fuganti  Vamos fazer uma coisa, um percurso, que vai nos fortalecer para entender as figuras do niilismo em Nietzsche e a questão da transvaloração de todos os valores; ou seja, a denúncia do niilismo e a criação de uma maneira de viver absolutamente inédita, inaudita. Maneira de viver, de sentir e de pensar. Hoje […]

Formação Pensamento Ocidental – Aula 27/32 – Nietzsche (parte 3/4)

Então de modo algum você pode dizer que Nietzsche critica uma raça ou um povo, a não ser quando essa raça encarna uma forma de ressentimento, uma forma reativa, uma forma niilista. Só o tipo reativo é que interpreta assim, de forma preconceituosa, a obra de Nietzsche.